12/09/2016

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO Prof. Dr. Alvaro Sobralino de Albuquerque Neto, cadeira nº 31 - AAL, em 15 de junho de 2004, e Discurso em homenagem ao Centenário de J.G. de Araújo Jorge, na cidade de Tarauacá, ano 2014- Acre




Prof. Dr. Álvaro Sobralino de Albuquerque Neto (dois importantes Discursos)



ACADEMIA ACREANA DE LETRAS
MEMORIAL DOS AUTONOMISTAS
THEATRO HÉLIO MELO


DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA Nº 31
ACADÊMICO PROF. DR. ALVARO SOBRALINO DE ALBUQUERQUE NETO


Presidente da Academia Acreana de Letras, Prof. Dr. Clodomir Monteiro
Demais autoridades, convidados e familiares presentes.

Ao tomar posse da Cadeira nº 31 da  Academia Acreana de Letras, sinto-me honrado e agradecido da votação obtida de parte dos imortais desta Academia.
Se a lisonja é grande, imensa é a responsabilidade que agora assumo, “De tudo fazer para o engrandecimento desta Entidade”.
A Cadeira nº 31 tem como Patrono o Poeta Juvenal Antunes, e como Fundador o Professor Joaquim Rufino Soares. Meu antecessor foi o Jornalista José Chalub Leite, o conhecido Zé Leite.
Juvenal Antunes (O Patrono) e “Zé Leite” (O Antecessor) têm algo em comum. Ambos morreram jovens, aos 58 anos, em plena produção intelectual. Donos de humor satírico e críticos mordazes dos aduladores. O desapego material também era uma identidade comum aos homenageados aos quais dedico as seguintes palavras.

JUVENAL ANTUNES (1883/1941)
Poeta Potiguar admirável, intelectual de humor ferino, “andarilho” e boêmio por opção. Tido como o “rei da pornografia”, só produzia intelectualmente quando embriagado.
Autor de “elogio da preguiça”, nasceu em Ceará-Mirim (RN),em 1883 e faleceu em Manaus (AM) em 1941, quando retornava para Natal (RN).
Juvenal Antunes foi um intelectual que encheu de brilho o Velho Acre e promovia bacanais homéricos no Hotel Madrid, onde residia, no 2º Distrito.
Cético e Materialista, descrevia sua última viagem assim: “Quando eu morrer, não quero ir para o Céu. Jamais suportaria o ambiente chato do Céu, com São Pedro fazendo rabugices e onze mil virgens entoando cânticos sacros. Jamais! ... Quando morrer, quero ir para o inferno! Isto sim! Ali encontrarei todas as almas devassas, todas as pecadoras, todas as mulheres perdidas, todas as prostitutas do mundo. E aí é que vou gozar de verdade!”.

JOSÉ CHALUB LEITE (1939/1998)
José Chalub Leite era o filho primogênito do casal Miguel de Freitas Leite e Maria Chalub Leite. Pai de Tereza Cristina, Aryzinho e Artur César, “riquezas eternas do meu existir”.
Nascido em Rio Branco (AC), em 13-12-1939, faleceu aos 58 anos (29-03-1998), fulminado por um infarto agudo do miocárdio.
O também jornalista Antonio Stélio, no prefácio do livro “Tão Acre’ (1992), descreve Zé Leite como “Um acreano entronizado no gurinismo de nosso jornalismo amazônico, maroto, cabloco” e que quando escrevia, produzia “textos elaborados como um escultor esculpe a madeira”.
Dedicado aos “causos” de nossa gente, Zé Leite se enquadra no que muitos escritores denominam de Realismo Fantástico, “porque fantástico são os fatos. Fantástica é a realidade. Afinal, o fantástico está aqui”.
Zé Leite dizia que “se não fosse jornalista, queria ser jornalista”. Esta era a sua vocação irremediável que teve início na década de 60, num seminário estudantil. Ele dizia “o jornalismo me realizou, mas não me enricou. Também para quê? Quando morrer não quero nada que não caiba no meu caixão”.
Na atividade jornalística, Zé Leite fundou vários semanários, como: O Estudante, Folha Estudantil, A Vanguarda, Jornal do Acre, A Gazeta, O Imparcial, A Bola e A Bola em Revista. Colaborou com os jornais Tribuna do Povo, O Estado do Acre e O Estado. Criou O Chute (4 números). Editou o semanário O Jornal. Foi editor de esportes, diretor geral e editor do jornal O Rio Branco. Durante alguns anos foi correspondente da Revista do Esporte (Manaus), Veja, Placar, O Globo, O Cruzeiro. Fundou a Associação dos Cronistas Esportivos do Acre e a Federação Acreana de Pugilismo.
Foram mais de três décadas de jornalismo “de muito chão, lotadas de alegrias e decepções, mil ilusões perdidas, com direito à percepção de reconhecer os verdadeiros amigos e a certeza de ter, no dia-a-dia das redações, ter ajudado a escrever a história acreana”.
Sobre sua obra Tão Acre, escrita em 1992, Zé Leite afirmava ser um “Jamaxi de gargalhadas, varadouro de humor, jirau de “causos”, poronga de folclore, sapupema de alegria, cuia-pitinga de gaiatice, piracema de verve, varadouro de chiste, repiquete do jocoso, banzeiro do picaresco, tapiri de semiologia, açude do riso antológico acreano na bubuia satírica, espirituosa e histriônica que sabe demais ao coração e gostosamente à alma de nossa gente sofrida e largada nos confins do extremo oeste do Brasil”. Nesta obra, Zé Leite afirma que “o que não acontece no Acre, não acontece em lugar algum do Brasil: cambista de bicheiro faz greve; médico em Sena Madureira atesta gravidez de homem de 70 anos; motorista de táxi dá carona; prefeito inaugura quebra-molas com banda de música e foguetório; prostituta tem orgasmo múltiplo... e dá de graça; Reitor da UFAC manda abrir inquérito para descobrir quem fez cocô na piscina; Preso escapa do presídio serrando barra de ferro com gilete; “mucura de dois pés” come, numa noite, 1.666 galinhas do governo...e fica por isso mesmo”.    

Muito obrigado.
Rio Branco, Acre em 15 de junho de 2004.
42 anos de Emancipação do Estado do Acre



“Salve J. G. de Araújo Jorge”.

Prof. Dr. Alvaro Sobralino de Albuquerque Neto.
(Cadeira Nº. 31 da AAL)

          Festejamos nesta data o centenário de José Guilherme de Araújo Jorge, nascido no dia 20 de maio de 1914, na antiga Vila Seabra, atual município de Tarauacá. Conhecido no Brasil e no exterior como J. G. de Araújo Jorge, iniciou sua formação escolar em Rio Branco, capital do Estado do Acre, continuando no Rio de Janeiro, onde concluiu sua graduação em Direito na antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ. Prosseguiu seus estudos em Coimbra, ocasião em que lhe foi outorgado o título de “estudante honorário” e em Berlim, na Alemanha, onde concluiu um curso de Extensão Cultural.
          J. G. de Araújo Jorge ficou conhecido como o “Poeta do povo e da mocidade”, pela sua mensagem social e política e por sua obra lírica, de linguagem simples, impregnada de romantismo moderno, mas às vezes dramático.
          Eleito Deputado Federal pelo MDB (atual PMDB), no Rio de Janeiro, exerceu suas atividades parlamentares de 1970 a 1978. Homem de múltiplas atividades foi compositor, jornalista, publicitário, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e de Literatura no colégio D. Pedro II. Também compôs lindas canções, das quais se destacam: “Confessando que te adoro” e “Meu amigo violão”, ambas interpretadas por Silvio Caldas e “Indiferença”, gravada na voz de Carlos Galhardo.
          Seu primeiro poema, intitulado “Ri, palhaço”, foi publicado no jornal Correio da Manhã (1931), quando o autor tinha somente 17 anos de idade. Daí em diante publicou dezenas de obras, inicialmente líricas, destinadas aos corações enamorados. J. G. fala à alma de toda gente porque traduz seus desejos, angústias e esperanças.
          Com a publicação de “Canto da Terra” (1945), a poesia jorgeana chega a ser situada no plano de Castro Alves. Desta obra destaca-se o poema intitulado “Vergonha” como um dos mais belos da coletânea.
          De acordo com o jornal O Globo, a publicação de “Estrela da Terra” (1947), eleva J. G. de Araújo Jorge à categoria de um Neruda. No mesmo sentido o romeno Stefan Baciu afirmou na ocasião que “É hoje comum, em certos círculos literários da Europa, falar-se do poeta chileno Pablo Neruda. De idêntico valor, como intérprete do ardente coração sul-americano, da pobreza de sua gente, do sentimento humano e da beleza deste continente, é J. G. de Araújo Jorge. Estrela da Terra é, sem dúvida, um dos mais belos e fortes poemas, traduzido para vários idiomas”. Desta coletânea, “Monólogo” se destaca por sua contemporaneidade.

“MONÓLOGO”
Meu filho,
Se te dissesse que poderia haver um mundo de duas classes.
Em que uns trabalham e outros não,
E os que trabalham, mendigam, passam fome,
E os inúteis gozam e desperdiçam,
Se te dissesse que poderia haver um mundo em que uns têm tudo: pão, remédio, crianças, futuro.
-Já nasceram proprietários do futuro!
E os outros não têm nada,
Nem mesmo os meios para a luta,
A grande luta desigual.

Se te dissesse que nesse mundo há homens de automóveis, tapetes, mulheres perfumadas,
E homens na chuva, ao relento e mulheres nas calçadas,
E aos primeiros não causa a menor impressão tal acontecimento,
E os outros não se revoltam – estendem apenas a mão vazia
E exalam lamúrias.

Se te dissesse que a justiça e a fé são mercadorias inacessíveis aos realmente necessitados:
E o Direito é apenas a lei que manterá tal estado de coisas:
E há homens que jogam a riqueza pelo prazer de jogar
E outros que a mereciam e morrem sem conquistá-la.

E se te dissesse que apesar de tudo, esse mundo existe realmente,
E vive, e progride, e avança, havias de me dizer: impossível, meu pai,
Um tal mundo jamais poderia existir nem poderia a vida afinal, ser tão má!
Entretanto, meu filho, basta abrires teus olhos.
Aí está – parece incrível, não é? – mas aí está.  

          Em “A outra face” (1949), há uma transformação na poética jorgeana que passa a manejar o verso com maior liberdade rítmica, e com uma tendência subjetiva, evitando o parnasiano descritivo. Romântico e socialista, é o poeta moderno que interpreta seu tempo e vê sua mensagem cumprir sua missão.
          Em 1986, onze meses antes de seu falecimento, J. G. de Araújo Jorge publicou sua última obra, intitulada “Tempo será”, na qual consta o poema “Finados”.

“FINADOS”
Mãe, hoje é dia de finados.
Não, não é remorso.
 Neste momento leio nos jornais que milhares de criaturas se atropelam nos cemitérios levando flores a seus mortos.

Não vou lá, mãe. Não gosto de cemitério.
Lá não sei te encontrar, nem me sinto em paz, perdido entre multidões...
E sofro de imaginar-te imóvel, prisioneira num gavetão de concreto empilhado num muro branco, de lamentações...

Não, mãe, não me sinto em paz,
Nem adianta procurar-te em meio a tanta gente estranha,
Misturar tua imagem tão viva quando te penso viva,
Com a lembrança da morte que deforma e desfigura
E com lutos e flores convencionais.

Ah, depois que partiste, não gosto de pensar onde te encontras,
Em minha aflição, hás de ter a certeza de que todo dia
É dia de finados em meu coração.

          Finalizando, reafirmo o que já foi dito sobre  J. G. de Araújo Jorge, O tempo ‘secou’ sua pena, calou sua voz, mas seu legado de amor, fé e perseverança, ficará para sempre entre nós.

Muito Obrigado.
Tarauacá – Acre, Maio de 2014.



08/09/2016

DISCURSO DA PRESIDENTE DA AAL POR OCASIÃO DA POSSE DO ACADÊMICO MÁRIO LIMA BRASIL



Ilustres autoridades presentes ou representadas, os cordiais cumprimentos do sodalício da AAL neste lindo dia em que a Academia Acreana de Letras recompõe, em parte, o seu sodalício, com a chegada de um laureado acadêmico.
Assim, é com júbilo e emoção que esta Augusta Academia Acreana de Letras acolhe, hoje, em seu quadro de imortais, o Prof. Dr. MÁRIO LIMA BRASIL. Sapientia Aedificavit Sibi Domum. A sabedoria edificou para si uma casa.
Tem sido através do mundo da cultura, no aprendizado e no aprimoramento dos vários conhecimentos existentes no orbe, seja nas ciências exatas, humanas, sociais, da saúde,  dentre outras, que o ser humano tem alcançado patamares desenvolvimentistas capazes de proporcionar o bem-estar social e melhoria da qualidade de vida para toda a humanidade.
E nesse contexto, as instituições acadêmicas têm sido, indubitavelmente, grandes difusoras e receptáculos dos conhecimentos, desde priscas eras, quando o mítico Platão fundou a primaz Academia em Atenas, na antiga Grécia, no ano 387 a. C., ocasião em que preconizava o desejo de “educar os jovens de maneira oposta à sofística, preparando-os para a união entre o poder político e a ciência, no engrandecimento humano”.
Mais tarde, na França, século XVII, foi criada a primeira academia de Letras, com objetivos definidos, o cultivo das letras, o prestígio à arte e, variavelmente, o reconhecimento aos valores das ciências. Suas normas e cláusulas são estabelecidas em estatuto devidamente legalizado. A Academia Acreana de Letras – AAL, seguindo os moldes daquela primeira criada na França, no século XVII, possui 40 cadeiras, então preenchidas por pessoas notabilizadas por algo expressivo de sua própria criação, tornando-se por esta razão, imortais, posto que ‘Letras’ possui status para se imortalizar.
E foi com esse mesmo objetivo que há 78 anos veio a lume a Academia Acreana de Letras, agregando, desde então, em suas hostes, profissionais literatos e cientistas, profissionais da área de Letras -- culto sagrado ao idioma pátrio e à literatura de expressão portuguesa -- e outras áreas afins, a promoverem a difusão e o desenvolvimento das ciências em geral. É como diz a frase latina – A sabedoria edificou para si uma casa.
Aqui somos mulheres e homens cultuadores das boas letras, da literatura, do humanismo e das ciências, sempre colimando por objetivo o culto às letras do idioma pátrio e à literatura de expressão portuguesa, com o olhar na higidez do idioma, indistintamente de classes sociais.
Destarte, é por tal razão que este sodalício hoje, aqui reunido, engalana-se, para a posse do novel Acadêmico MARIO LIMA BRASIL, cadeira nº 15, que tem por patrono  Belarmino de Mendonça ---  homem que sentou praça no Exército em 1865, quando partiu como soldado para a Guerra do Paraguai (1864-1870). Proclamada a República, em 15 de novembro de 1889 e convocadas às eleições para o Congresso Nacional Constituinte, em 15 de setembro de 1890, foi eleito deputado pelo Paraná. Tomou posse em 15 de novembro, participou da elaboração da Constituição promulgada em 24 de fevereiro de 1891 e, com o início, em maio, da legislatura ordinária, tomou assento na Câmara dos Deputados até dezembro de 1893. Com o término da legislatura, voltou à vida militar e foi promovido coronel em 1895.
Durante sua longa trajetória como militar, foi inspetor da 12ª Região Militar, fiscalizou o serviço de navegação dos rios Iguaçu e Negro e dirigiu a construção de ramais férreos e a exploração de rios. Foi também adido ao Ministério das Relações Exteriores e subchefe do Estado-Maior do Exército. Além disso, foi ministro do Superior Tribunal Militar. Faleceu no dia 28 de maio de 1913.
A cadeira nº 15 tem por antecessor JORGE KALUME -- Filho do imigrante Sírio Abib Moizés Kalume e de Latife Zaine Kalume. Estreou na política ao eleger-se prefeito de Xapuri, em 1955. Eleito deputado federal pelo PSD, em 1962, renunciou  para assumir o governo do Acre como mandatário ungido pelo Regime Militar de 1964. Eleito Senador da República pelo Acre, em 1978. Foi homem que dedicou a vida às causas acreanas, sempre com lisura e honradez.
Hoje, toma assento na mesma cadeira o Prof Dr. Mário Lima Brasil. O novel acadêmico é resoluto e perseverante em seus anelos, por isso espera-se que traga mais glória a esse honrado sodalício, posto possuir gênio indagativo, perscrutador e curioso,  fascinando-se e fascinando-nos, dentre tantos brios, por notas musicais e belas partituras...
Nosso ilustre acadêmico ostenta em seu “Curriculum”, trabalhos maravilhosos, outorgados por entidades nacionais e estrangeiras.
Seja bem-vindo ao nosso sodalício, Professor MARIO LIMA BRASI. Manifesto o regozijo que nos acomete neste ensejo de tê-lo doravante como nosso confrade, valendo-nos da oportunidade para estender cumprimentos aos Vossos familiares que não puderam estar aqui hoje.
Movida pelo enlevo natural que nos envolve em átimos como este, quando representantes de vários segmentos da comunidade regional, aqui vêm congregar-se conosco, prestigiando mais um evento da Academia Acreana de Letras, como um incentivo à cultura e ao desenvolvimento científico e intelectual da região acreana, lanço um olhar esperançoso no futuro do Brasil, hoje mergulhado em escândalos, o nosso Acre querido, que agrega nesse sodalício mulheres e homens que podem soerguer o nome do Acre e do Brasil, dando-lhe uma respeitável parcela de credibilidade junto ao concerto harmonioso e orquestrado por todas as nações.
Prof. Mario Lima Brasil, receba, aqui, de seus novos confrades, a mais calorosa acolhida, na certeza de que a sua presença  honra e dignifica esta Casa.

Senhoras e Senhores, muito obrigada pelo prestígio de tê-los aqui presentes.

MARAVILHOSA COLETÂNEA "Mundo dos textos". Vol.I Língua Portuguesa & Linguagem; Vol. II Educação & Comunicação; Vol. III Língua & Sociedade.Livros importantes no apoio aos professores e alunos quanto à leitura e interpretação de textos. Também modelos no aspecto estrutural e quanto ao gênero argumentativo. Será lançada na Bienal do Livro no mês de novembro. Haverá um pré-lançamento no Campus Floresta, por ocasião do Workshop de Língua Portuguesa & Dialectologia, em outubro próximo.




Para falar desta Coletânea "LEITURA PARA TODOS, Vol I, II, III, diz-se, inicialmente, ser de conhecimento irrefutável que a leitura e a escrita são pontes incontestáveis para que haja uma inclusão dos indivíduos dentro da sociedade. Tendo a escola a responsabilidade de sistematizar esses saberes, relembramos, aqui, não ser tarefa apenas do professor de língua portuguesa a utilização de textos suplementares, para que haja uma aquisição significativa da linguagem. Pois é a ausência da pouca compreensão da linguagem e a deficiência em leitura  a maior causa do fracasso escolar, em todas as disciplinas ou áreas de conhecimento.
E como a escola tem o compromisso e a responsabilidade de sistematizar esses saberes, salienta-se não ser papel apenas do professor de língua portuguesa, em utilizar-se de textos, para que haja, por parte dos estudantes, uma melhor e maior compreensão da linguagem. Para esse êxito, outras disciplinas do Ensino Fundamental devem lançar mão de textos que abordem temas da vida, dos mais variados gêneros disponíveis, no meio social, com um fim comum: a inserção do aluno no mundo letrado.
Com o pensamento nos professores e alunos, na busca de textos, reconhecendo, pois, a importância dessa tarefa escolar, em sala de aula, não podemos nos furtar de oferecer um número significativo de textos, com temáticas variadas, para atender os professores e  estudantes brasileiros. Que a utilização desses textos, em sala de aula, aconteça com mais frequência e que este uso possa articular-se, coerentemente, dentro de uma proposta interdisciplinar harmoniosa entre as áreas de conhecimento, nas escolas de ensino médio, fundamental e mesmo nas Universidades. Ler é uma tarefa boa para todas as pessoas, em todas as idades e em todos os tempos.
Segundo as orientações apresentadas pelos PCNs, todo professor, independente da sua área de formação, deve ter o texto como instrumento de trabalho. Este, por sua vez, deveria ocupar lugar de destaque no cotidiano escolar, pois, através do trabalho orientado para leitura, o aluno deveria conseguir apreender conceitos, apresentar informações novas, comparar pontos de vista, argumentar, etc. Dessa forma, o aluno poderá caminhar adiante na conquista de sua autonomia no processo de aprendizado. No entanto, o que se observa é que construir habilidades e competências que envolvam a leitura e a produção textual é papel atribuído apenas e tão somente aos professores de língua portuguesa, limitando o espaço do texto na escola. E esse espaço deve ser ampliado e muito.
Por isso ouvem-se muitas críticas sobre as práticas pedagógicas de língua materna. Afinal, muitas são as dificuldades dos alunos, no que diz respeito ao desenvolvimento da proficiência em leitura e compreensão de um texto. No entanto, não podemos esquecer que é papel da escola, como um todo, tornar nossos alunos capazes de utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem, sabendo fazer uso de informações contidas nos textos, bem como conhecer e analisar, criticamente, os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe, credo, gênero ou etnia.
Foi com o pensamento voltado para esse cenário e, também, considerando que algumas instituições brasileiras demonstraram interesses sobre os meus textos, que resolvi reunir, parte deles neste livro. Também, considerei o fato de haver cedido parte desse material para o Estado de São Paulo, Secretaria de Estado de Educação e Cultura, para elaboração de livros didáticos de apoio aos professores do Ensino Médio e, ainda,  para a Organização Educacional Farias Brito, para elaborar material didático de revisão, contendo apenas questões sob o título de Resolva Enem I, que fará parte da coleção Anual Volume 2. A tiragem é de 10.000 cópias, também no Estado de São Paulo. E neste Volume V, intitulado LEITURA PARA TODOS, reuni parte dos artigos que escrevo nos Jornais: “A Gazeta do Acre” (Brasil, Acre), Agência Amazônia de Notícias (Brasil – DF) e Gosto de Ler (USA).
Conheço, de perto, as dificuldades que sentem os professores de Língua Portuguesa, especialmente, quando precisam de um texto de apoio para as aulas de gramática e mesmo de interpretação e tipologia textual, assim também para ensinar estrutura e elementos textuais. Nesse caso, devem entrar em cena, ainda, as técnicas ou métodos que os leitores usam para adquirir a informação, ou, ainda, procedimentos ou atividades escolhidas para facilitar o processo de compreensão em leitura. São planos flexíveis adaptados às diferentes situações que variam de acordo com o texto a ser lido e a abordagem elaborada, previamente, pelo leitor, para facilitar a  compreensão do texto lido.
Ademais, os estudantes necessitam discutir, em sala de aula, temas atuais e que digam respeito ao cotidiano da vida e dos valores sociais e morais da nossa sociedade. E, nesse aspecto, o professor exerce um papel de grande importância ao propiciar não somente a aprendizagem em leitura, mas, também, ao propor modelos técnicos e procedimentos que proporcionem a compreensão leitora. O processo de ensinar seria uma forma de possibilitar ao estudante desenvolver estruturas conceituais e procedimentais, que ampliem seu desempenho diante da vida, do mundo e, sobretudo, na compreensão da linguagem, na interação com textos e com as pessoas.
Então, olhar a língua como uma realidade essencialmente dinâmica, à imagem e semelhança da sociedade, daqueles que a usam, daqueles que criam e recriam sem parar; dos que veem na língua um conjunto heterogêneo de variedades, cuja igualdade e legitimidade reconhecem; finalmente, ver na língua, pelo domínio de recursos de expressão, a possibilidade de lavar os alunos ao acesso aos bens culturais, à articulação desses bens e desse saber aos interesses de sua classe são atitudes que devem caracterizar o professor de português, são atitudes que o professor de português deve manifestar na prática da sala de aula.
Não é demais relembrar, antes de concluir, que a tarefa do professor de língua materna pode ser facilitada e enriquecida pelo apoio que a linguística moderna lhe oferece. Não se quer dizer com isso que ele deva ser um especialista na área. Deseja-se dizer, simplesmente, que é imprescindível acercar-se dos princípios que os estudos linguísticos vêm fixando nas últimas décadas, que lhe propiciariam refletir sobre inúmeros aspectos aceitos, rotineiramente, mas que, à luz dos novos conhecimentos, deveriam ser redefinidos ou até abandonados.
Espero, verdadeiramente, que os professores e os alunos gostem dos textos, com temáticas variadas, e percebam que ensinar e aprender vai além dos livros didáticos, é um exercício de vida para quem vive numa sociedade tão diversificada como esta do século XXI.
Não preparei, para cada texto, uma lista de tarefas, considerando que esta atividade diz respeito aos interesses dos professores e às necessidades dos estudantes. Ofereço, aqui, ao final do livro, uma folha com sugestões de atividades para os alunos, que poderão aplicar os exercícios no trabalho com cada um dos textos e, assim, compreender, mais claramente, a sua estrutura, elementos coesivos, coesores.
A respeito do conceito de coesão, alguns teóricos dizem que a coesão é condição necessária, mas não suficiente, para que se crie um texto. Na verdade, para que um conjunto de vocábulos, expressões, frases seja considerado um texto, é preciso haver relações de sentido entra essas unidades (coerência) e um encadeamento linear das unidades linguísticas presentes no texto (coesão).
A interpretação de texto permite que as pessoas possam estender o domínio sobre a linguagem escrita e falada e se tornem cada vez mais eficientes dentro das informações a serem transmitidas e compreendidas. Por isso a interpretação favorece a compreensão profissional e acadêmica, ofertando um maior entendimento e assimilação de conteúdo e ideias.
Para finalizar, digo que os temas aqui abordados são interessantes, dizem respeito ao cotidiano de nossas vidas, nossos valores e conceitos sobre o mundo que nos cerca. A interpretação deles permitirá, ao leitor, a compreensão de todo e qualquer texto ou discurso, que se ampliará no entendimento e no olhar de cada leitor sobre as ideias aqui postas. Trata-se de uma competência imprescindível no mercado de trabalho e na vida estudantil.
         Luísa Karlberg
              A autora