24/04/2020

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO PROF. DR.JEFFERSON CIDREIRA - Cadeira 14


Discurso de Posse
Acadêmico Jefferson Henrique Cidreira - Cadeira 14

Saúdo-vos, Excelentíssima presidente da Academia Acreana de Letras, Prof.ª Dr.ª Luísa Karlberg, nobre Sodalício, senhores e senhoras, público convidado

           É, para mim, uma imensa honra poder, agora, fazer parte da ilustre entidade, a Academia Acreana de Letras - AAL, tomando posse da cadeira de número 14. Lugar este que tem como patrono o Excelentíssimo João Barbosa Rodrigues: professor, engenheiro e botânico. Suas produções, como escritor, estão ligadas a botânica e a etnolinguística. Esteve na Amazônia em viagem de exploração do rio Capim, entre dezembro de 1874 e fevereiro de 1875. Foi uma das etapas da Comissão Exploradora do Vale do Amazonas. Esta comissão foi um projeto do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, cujo propósito era o de fazer o levantamento das riquezas naturais do vale do Amazonas. A fim de cumprir tal missão, Barbosa Rodrigues viajou com sua família para o vale do Amazonas em 1871, lá permanecendo até março de 1875.
Após explorar, em sequência, os rios Tapajós, Yamundá, Urubu e Jatapu e Trombetas, em 1874, Barbosa Rodrigues encontrava-se na cidade de Óbidos, na província do Grão-Pará, uma de suas bases e, consequentemente, um dos lugares de realização de seus estudos preliminares de gabinete. Sendo assim, após realizar pesquisas de quais rios da província do Pará não tinham sido explorados por naturalistas, percebeu que as informações encontradas indicavam que o rio Capim não havia sido explorado até a sua nascente. 
As mesmas informações também lhe diziam que o único naturalista que havia passado pelo rio tinha sido Alfred Russel Wallace (1823-1913), em 1849, o qual viajou da foz até o engenho Santo Antônio, localizado na fazenda São José, uma das muitas propriedades que José Calixto Furtado (1806-1882), fazendeiro e líder do Partido Conservador na freguesia de Santana do Capim (hoje, vila de Santana do Capim, município de Aurora do Pará), possuía ao longo do rio Capim. Barbosa Rodrigues, na introdução de seu relatório, enfatizou que o naturalista não havia proposto nenhuma discussão mais profunda acerca do rio Capim, como também não dissertou a respeito dos animais e dos vegetais que compunham a região. Ainda segundo ele, Alfred Wallace apenas havia descrito alguns lepidópteros (ordem onde estão inseridas as mariposas e as borboletas) e a pororoca.
Barbosa Rodrigues não se ocupou apenas em descrever o curso do rio Capim e de seus prováveis afluentes, ou seja, seus aspectos geográficos e hidrográficos. Do rio Capim, elaborou vários estudos acerca das observações e dos registros que realizou ao longo de sua viagem, levando sempre em consideração as características físicas, históricas e antropológicas encontradas por ele neste afluente. Uma dessas características foi a pororoca, sobre a qual o naturalista elaborou estudo detalhado de suas causas no rio Capim.
A escolha por explorar o rio Capim trouxe a Barbosa Rodrigues um resultado ímpar, pois o botânico conseguiu classificar três novas espécies de palmeiras, descritas no “Enumeratio Palmarum novarum quas valle fluminis Amazonum inventas et ad Sertum Palmarum collectas, descripsit at iconibus illustravit”, posteriormente adicionadas ao “Sertum Palmarum Brasiliensium” , obra magna de magnitude.
Tal como fez em relação a este rio, o botânico procurou explicar a origem e o significado da palavra pororoca. Suas conclusões foram reproduzidas por José Coelho da Gama e Abreu, o Barão de Marajó (1832-1906), em “As regiões amazônicas: estudos chorográficos dos Estados do Gran Pará e Amazônas”. Foi o exímio estudioso a quem a região amazônica muito deve engrandecer e enaltecer.
Essa cadeira de número catorze, que recebo com muito orgulho, também foi ocupada pela vossa Excelência Silvio Martinello, antecessor emérito da AAL.Silvio Martinello faz parte da história acreana. Desde a década de 1970 vem tecendo narrativas sobre nosso amado Estado, através do jornal Varadouro e, posteriormente, A Gazeta, onde ganhou diversos prêmios. Varadouro teve papel preponderante de resistência contra os abusos de poder e às explorações de seringueiros, colonos e indígenas. Isto é, com um prisma em prol das classes desfavorecidas. Silvio Martinello não só figurou com sua bela e crítica escrita nos jornais acreanos, mas, também, como escritor de diversas obras como: "A ilha da consciência", "Amanda", "Acre, onde o vento faz a curva", dentre outros. Diante das breves apresentações, em especial, ao meu antecessor, sinto-me com uma responsabilidade enorme em honrar essa cadeira, a qual ilustres intelectuais fizeram-na justiça.
        Neste momento de posse, é salutar mencionar pessoas, pelas quais, nutro carinho, admiração e presença à construção de minha vida literária. Agradeço, primeiramente, a Deus. Em seguida aos meus pais, Maria Liberdade de Matos e Saint'Clair Cidreira, responsáveis diretos pelo meu ensinamento, caráter, humildade. Minha mãe, a título de exemplo, muitas vezes deixou de comer para  que eu e o meu irmão amado, Saint'Clair Cidreira Júnior, pudéssemos estudar. Outrossim, é destaque a presença de meu irmão como um espelho de pessoa, o primeiro a fazer com que me debruçasse às tessituras. Aos imortais: professora Doutora Maria José Bezerra, minha grande professora na graduação; ao professor Doutor Francisco Pinheiro, o Dandão, que enxergou potencial em mim e me incentivou a adentrar nesta conceituada casa; ao professor Doutor Eduardo Carneiro, amigo de infância e incentivador das minhas obras; e ao Professor José do Carmo Carile, meu padrinho querido neste Sodalício, pela humildade e nobreza de caráter, exemplo humano modelar.
         No mais, rogo a Deus para que abençoe e direcione nossos passos dentro dessa Augusta Instituição, em prol da cultura e da população acreana.

COLEÇÃO 82 - livros dos imortais da Academia Acreana de Letras


Esta Coleção 82 é alusiva aos 82 anos de fundação da Academia Acreana de Letras - AAL, no ano de 1937, por Amanajós de Araújo. Para marcar esse tempo, quase centenário, a Presidente da AAL, com apoio do sodalício, programou esta Coleção 82 – editada pelo acadêmico Eduardo de Araújo Carneiro (EaC), cadeira 38 -- que traz artigos, crônicas, poesias, contos e outros gêneros literários que estão a denotar o estilo e a preferência dos imortais, em suas produções., livros que irão fazer parte do rico acervo de produção do sodalício da AAL.  Com esta Coleção 82 a AAL permanece fiel a sua história e aos objetivos definidos em sua missão estatutária. Cum laude omnia fieri -– com louvor tudo foi feito.

Luísa Karlberg
Presidente da AAL

DIRETORIA AAL – BIÊNIO 2018-2020
Presidente: Luíza Galvão Lessa Karlberg
 Vice-Presidente: Renã Leite Pontes
 1º Secretário: Maria José Bezerra
 2º Secretário: Maze Oliver
 1º Tesoureiro: Álvaro Sobralino de Albuquerque Neto
 2º Tesoureiro: José do Carmo Carile
 Diretoria de Patrimônio: Moisés Diniz
 Diretoria de Biblioteca: Olinda Batista Assmar
 Relações Públicas: Enilson Amorim 

CONSELHO FISCAL:
Reginâmio Bonifácio
         Vacante
         Vacante













O GENTÍLICO ACREANO - Prof.ª Dr.ª Luisa Galvão Lessa Karlberg

23/04/2020

DISCURSO DE POSSE DA ACADÊMICA PROF.ª ESP. MAZE OLIVER - Cadeira 10


Discurso de Posse
Acadêmica Maria José de Oliveira - Cadeira 10

Senhora Presidente da Academia Acreana de Letras, Prof.ª Dr.ª Luísa Karlberg, autoridades, minha respeitosa saudação a Vossas Excelências, imortais do Sodalício da Academia Acreana de Letras, autoridades, professores, comunidade, estudantes e familiares, senhoras, Senhores!
É com imensa felicidade que me dirijo ao seleto público a fim de me apresentar como acadêmica desta ilustre Arcádia. Fui eleita no pleito realizado no dia 13 de Setembro do corrente ano, recebendo o segundo maior número de votos: 22.Tenho por PATRONO PEDRO DE ARAÚJO LIMA e sou sucessora, com muita honra, da Acadêmica Emérita, escritora e novelista Glória Maria Rebelo Ferrante, cadeira de número 10, a imortal que tanto prende à atenção dos telespectadores, quando de suas fabulosas novelas.
Concorri a uma vaga na AAL com o objetivo de contribuir para a grandeza desta tradicional Academia de Saberes, com a atividade que mais amo fazer: a literatura infantil.
Meu Patrono é PEDRO DE ARAÚJO LIMA, O MARQUÊS DE OLINDA, estadista brasileiro, regente único e primeiro ministro do Império do Brasil. Ele foi Presidente do Conselho de Ministros, por muitos anos, e uma figura representativa da aristocracia rural do Nordeste, ligado aos elementos mais poderosos da lavoura açucareira. Estudou humanidades em Olinda. Em 1813 seguiu para Portugal onde se formou em Direito pela Universidade de Coimbra, retornando ao Brasil em 1819. Destacou-se, ainda, na política, tornando-se uma das principais figuras do movimento da Independência do Brasil. Com mais de 50 anos de vida pública escreveu vários ensaios sobre assuntos políticos e administrativos, inclusive um Projeto de Constituição para o Império. Portanto, eu vos digo que para mim, mulher, cabocla da Amazônia, que passou a primeira infância em colônias acreanas, é motivo de honra e orgulho ter importante personalidade da política brasileira por Patrono.
Minha antecessora da cadeira 10, a escritora acreana, de Rio Branco, GLÓRIA MARIA REBELO FERRANTE, mais conhecida como Glória Perez, é roteirista, novelista e produtora brasileira de descendência italiana, cuja trajetória, na televisão brasileira, é intensa, já tendo sido agraciada, entre outros países com o premio Emmy International de melhor telenovela no ano de 2010, pela a obra Caminho das Indias. Sua rica produção é notada por trazer temas de alcance social e de grande repercussão, inclusive internacional. Sinto-me duplamente honrada em suceder tão ilustre escritora brasileira, acreana.
Quando criança, vivendo nas colônias acreanas, eu gostava de inventar histórias, para mim mesma, depois para as coleguinhas da escola e para a minha tia mais nova, Olindina Dias. Jamais imaginei que escreveria livros, tampouco que chegaria a ser eleita para a Academia Acreana de Letras. Tudo foi aconteceu, naturalmente, talvez decorrente do meu labor literário ao público infantil.
Na adolescência cheguei a iniciar a escrita de poemas, mas estes se perderam nos cadernos do Ensino Médio. Foram tantas as vezes que escrevi poesias nos intervalos das aulas, quando concluia as tarefas ou quando, simplesmente, queria desabafar. Nesses momentos a poesia ajudava-me nos momentos intensos de paixão adolescente, de rebeldia ou de alegria. Fui criando, com a poesia uma intimidade de divã, e, nos meus textos, realizava a catarse de minhas emoções. Assim, digo que a poesia foi, foi por longos anos, a dileta companheira e a melhor amiga. Com a vida adulta vieram os compromissos com a profissão, a família, ficando esse meu hábito, por vezes, esquecido.
No ano de 2008 recomecei a escrever, no início timidamente, no blog Um Pensamento Virtual e fui recuperando, aos poucos, a antiga prática. E no intuito de criar um arquivo para não repetir o erro de perder meus novos poemas, publiquei meu primeiro livro, em 2015, DEVANEIOS, e desde então não consegui mais parar, porque estava envolvida com a literatura infantil escolar, com o objetivo de incentivar pequenos poetas nas escolas.
A partir de então consegui ampliar esse trabalho para outras escolas, com a ajuda dos amigos da Sociedade Literária Acreana (SLA), grupo que ajudei a fundar e fui a primeira presidente oficial. Depois veio o sonho de pertencer a Academia Acreana de Letras e, para alimentá-lo, segui escrevendo meus livros e alimentando meu blog com os textos que produzia. Publiquei meu segundo livro em 2016, um conto infantil, A Poção Mágica. Foi então que criei a performance teatral de apresentá-lo às crianças da minha cidade. Uma iniciativa que deu muito certo, porque agrada às crianças e os adultos também. Literatura e teatro é o casamento perfeito.
Nesse ano de 2019 publiquei mais três livros: Frida Poeta, um livro de poemas infantil; Beleza Misteriosa, um conto para adolescentes; Paixões, um livro de poemas juvenil, todos pela Editora SLA; ainda em dezembro deste ano, estarei lançando, agora, pela Academia Acreana de Letras (AAL), uma coletânea de textos intitulada Emoções Inesquecíveis, com 82 poemas, pela ocasião do aniversário de 82 anos da AAL.
Aristóteles, na primeira abordagem antológica da literatura, nos ensina que ela é prazerosa, libertária e ainda, cura e ensina. Dizia que é “graças à imitação, a mimese, que a sociedade se capacita”, deleitando-se em seus prazeres, sendo a catarse, a sua finalidade. Por acreditar nessa premissa, foi que aos trinta e sete anos de trabalho, como especialista em educação, em escolas rio-branquenses, no Estado do Acre, que sempre priorizei a literatura no mundo escolar, tendo-a como instrumento de cidadania. Para reafirmar essa convicção sigo na tarefa de instrumentalizar as crianças desse conhecimento libertário, continua sendo meu maior prêmio da vida: libertar-se pelas letras, pelas palavras, pela escrita, pela literatura.
Nesse caminhar pretendo contribuir com a Academia Acreana de Letras, com aquilo que mais me fascina: fomentar a literatura no mundo infantil e juvenil, por meio das performances, letras e livros, no intuito de proporcionar ao jovem leitor a reflexão sobre a realidade e, principalmente, estimular a busca da leitura de mundo e de uma melhor atuação na sociedade, para que esses estudantes possam ser sujeitos protagonistas de suas próprias histórias.
Tomo posse hoje da cadeira número 10, como acadêmica da instituição mais tradicional do Acre, a AAL, confiando no apoio dos meus confrades e confreiras, comunidade, amigos e familiares, para viverem comigo essa nova história de alegria, deixando para todos que comigo convivem esse legado de transformar a vida em poesia e histórias inventadas e contadas em livros, acreditando que posso contribuir na construção de uma sociedade leitora e mais rica em cultura no meu Estado do Acre.
Gratidão a Deus pelo dom da vida e por me permitir viver este momento. A minha família, pelo carinho e apoio constantes na caminhada; aos acadêmicos do quadro permanente e eméritos da Academia Acreana de Letras, que depositaram em minha pessoa o voto de reconhecimento e confiança, a minha emocionada gratidão; aos amigos e leitores, que hoje estão aqui, prestigiando este momento sublime, e que fazem parte dessa linda história, prometo seguir produzindo literatura, com ênfase na infantil. Isso porque sinto que nunca foi tão importante, como agora, produzir boa literatura infantil, porque as crianças são atraídas por milhares de coisas mais fáceis, instantâneas e mais baratas que o livro. Com boa literatura infantil, defende-se o livro.
  Muito obrigada!

DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO PROF. DR. EDUARDO DE ARAÚJO CARNEIRO - Cadeira 38


                                              Eduardo de Araújo Carneiro - Cadeira 38



Digníssima Presidente da Academia Acreana de Letras, Prof.ª Dr.ª Luísa Karlberg,

SENHORAS E SENHORES,
AUTORIDADES,
CONFRADES, AMIGOS
E A TODOS OS PRESENTES
Meu Muito Boa Noite,

Foi com muita alegria e satisfação que recebi a notícia de ter sido eleito como imortal dessa honrosa academia. Por isso, quero, desde já, agradecer, publicamente, àqueles que me dignificaram com os seus respectivos votos, em especial a Professora Dra. Maria José Bezerra, minha patrocinadora, a quem coube a missão de me indicar ao Sodalício. Quero também estender os meus agradecimentos a todos os confrades que, mesmo não tendo votado em mim, estão aqui presentes para me acolher nessa cerimônia de posse.
Na minha vida, tudo parece acontecer de maneira bem natural. Há 15 anos eu nunca me imaginaria um professor universitário, nem um escritor, nem um editor de livros, nem um doutor, muito menos um “imortal”. Há 15 anos eu era mais um policial militar à serviço da manutenção da ordem pública. Mas a minha grande virtude foi nunca ter parado de estudar. O que me faltou na escola pública, onde sempre estudei, eu ia buscar nos livros por esforço próprio. E foi dessa forma que adotei a Cultura do Livro como estilo de vida. Abdiquei das “festinhas e baladas” de convites fáceis como é para qualquer jovem e, desde cedo, dediquei-me aos livros, mesmo vindo de uma família cujos pais eram semianalfabetos.
A dedicação às leituras acabou me afastando do convívio social e muito dos meus amigos passaram a dizer que havia me tornado “um ser um tanto antissocial”. Mas a leitura é uma atividade de caráter individual: eu tive que pagar o preço. Com o tempo, valeu em mim o provérbio: “quem muito lê um dia se depara com a vontade de escrever”. Com 21 anos escrevi meu primeiro livro “O Perigo da Apostasia” ainda por ser publicado, que espelhava bem o jovem religioso egresso do curso de Teologia. Passei a escrever artigos para jornais até ser colunista durante meses em um jornal local. Hoje, aos 38 anos, tenho 5 livros publicados e mais três em fase final de redação. Apesar das minhas limitações, de uma fase difícil pelo qual venho passando em minha vida particular, ainda consegui colaborar com alguns autores locais, alguns dos quais presentes nessa solenidade, editorando seus respectivos livros. Ao todo já foram mais de 30 livros editorados em menos de 1 ano, de modo que eu acho que serei lembrado no futuro mais como editor do que como escritor propriamente dito. Se assim o for, ficarei feliz com isso.
 Todos nós da AAL estamos imersos na cultura do livro, mesmo sem saber. Essa cultura não se restringe apenas à fomentação do hábito da leitura. É preciso promover e valorizar todo o processo que envolve a produção e o consumo do livro. Nesse processo que o ESCRITOR assume um papel fundamental. A biblioteca, templo do livro, também.  E eu como editor estou na base, como um parteiro que ajuda a nascer um filho alheio.
O poder público deveria ser o maior promotor da cultura do livro, no entanto, em nosso Estado, as Fundações de Cultura estão sucateadas e inoperantes. Mas nem mesmo a Secretaria de Estado de Educação tem se atentado para isso. Na minha opinião, os estabelecimentos de ensino deveriam estar comprometidos com a “articização do escritor” e a “manumentalização das bibliotecas”. Ora, o que é isso afinal?
Valorizar a cultura do livro é, acima de tudo, adotar uma política de ensino que trate o escritor como celebridade, como um artista. (Torná-lo notório. Engrandecê-lo, enobrecê-lo, evidenciando-o nas mídias).Valorizar a cultura do livro é tratar as bibliotecas como um monumento. Um local de apreço, em as pessoas se sintam atraídas a apreciar a beleza estética das curvas do conhecimento.
Afinal, se escrever fosse fácil, a comunidade letrada seria composta por escritores. Porém, o máximo que se consegue, mesmo após terminar uma faculdade ou até mesmo um doutorado, é se tornar AUTOR de uma monografia ou tese. E vocês sabem que há uma diferença muito grande em ser autor e escritor. Então vamos homenagear os escritores com as devidas honras. 
No entanto, falta CULTURA DO LIVRO mesmo em estabelecimentos que deveria sobejá-la. Vou citar apenas o caso da Universidade Federal do Acre:
- Eventos como este da posse de dois imortais não estão sendo prestigiados por representantes da IFES, mesmo tendo um dos seus funcionários agraciados com a imortalidade literária;
- Biblioteca e Editora sucateados;
- Coisas escabrosas acontecem, por exemplo, na FICHA DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOCENTE temos:
- LIVROS publicados por editoras de circulação regional = 0,6 pts
- Revisão de um documento institucional da UFAC = 0,3 pts
- Editoração de livro = 0,0 pts
- Cargo em comissão em pró-reitoria = 6 pts
 Vejam que há uma pedagogia interna na UFAC de valorizar aquele que assume cargos técnicos em vez de valorizar aquele que escreve livros ou ajuda outro a publicar, como é o caso do editor.
Bem, assumo a cadeira nº 38, que tem por PATRONO Plácido de Castro e como meu antecessor Jarbas Passarinho. Pelo ritual do Sodalício, o MOMENTO AGORA É DE REVERÊNCIA. Como novo imortal, teria que, neste momento, reverenciar e destacar as virtudes do meu Patrono e do meu Antecessor. No entanto, como pesquisador que sou, após consultar o patrimoniada literário deles, me dei conta que se tornaram "IMORTAIS" mas por conta da atuação política que tiveram do que propriamente de seus dotes na arte da escrita.
Mas eu tentei manter-me em uma visão ACREANOCÊNTRICA e, numa leitura vaidosa dos meus antecessores, destacar, meio que usando uma “lupa” suas qualidades no campo da literatura. No entanto, como historiador que sou, tenho lentes “anti-epopeicas” e acabo desacreanizando tudo.
       PLÁCIDO DE CASTRO (1873-1908) - Por ironia do destino assentar-me-ei na Cadeira de N° 38, cujo Patrono é nada menos que José Plácido de Castro. Digo ironia, pois nos meus livros o militar recebe um devido julgamento histórico desapaixonado de acreanismo. Portanto, da minha boca não receberá elogios. Nem como escritor, nem como pessoa.
JARBAS PASSARINHO (1920-2016) - Xapuriense, nascido em janeiro de 1920, no entanto, pouco contato teve com o Acre, uma vez que desde os três anos foi morar no Pará. Tornou-se um oficial militar, essa era a sua profissão. Nos tempos da Ditadura Militar de 1964, se tornou político. Foi um dos principais porta-vozes da Ditadura Militar no Estado do Pará, indicado como governador do Pará (1964-66).
Menos conhecida é sua atividade como escritor e intelectual: em 1949, ganhou prêmio de concurso da Prefeitura de Belo Horizonte com o conto “Um Viúvo Solteiro”. Em 1959, com o romance “Terra Encharcada”, recebeu da Academia Paraense de Letras o prêmio Samuel Wallace Mac Dowell.
Em maio de 1991, lançou “Na Planície”, o primeiro volume de suas memórias. Em 1996, o conjunto das memórias foi publicado com o título “Um Híbrido Fértil”. Autor de outras obras, como “Amazônia, o Desafio dos Trópicos” (1971) e “Liderança Militar” (1987). Em 1967-1969 foi Ministro do Trabalho. Atuou na pior fase da Ditadura (Mais de 100 sindicalistas foram destituídos).
Quando COSTA E SILVA propôs o famigerado Ato Institucional nº 5, em 1968, como Ministro, ele foi um dos que o aprovou.
De 1969 a 1974 foi Ministro da Educação. (MOBRAL e UFAC)
De 1981-83, Presidente do Senado Federal.
De 1983 a 85, foi Ministro da Previdência Social.
De 1990-1992, Ministro da Justiça (Collor)
1967-83, Senador pelo Pará.
Tornou-se articulista do Estado de S. Paulo e ficou famoso por eleger o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) como alvo de suas críticas. Enfim, foi um homem cuja importância política excedeu à literária.
EPÍLOGO
Para finalizar, quero dedicar o meu ingresso nessa honrosa Academia à minha mãe, Helena de Araújo Carneiro, uma niteroiense (RJ) que residiu no Acre por mais de 15 anos e que veio a falecer, precocemente, por conta de um diagnóstico errado dado em um hospital público de Rio Branco. A essa mulher dedico o meu ingresso, uma analfabeta que soube, do jeito dela, ensinar os seus filhos a se dedicarem aos estudos, de modo que um virou professor universitário, outra enfermeira e outra médica. Que fique registrado nos anais desta Academia o nome dela, para que seja honrada in memoriam, já que em vida, foi somente mais uma anônima residente na periferia de Rio Branco.
Encerro o meu discurso declamando um poema de minha autoria, que foi publicado no meu livro intitulado POESIAS NOTURNAS, que seria lançado aqui, neste evento, caso não tivesse ocorrido alguns contratempos. O poema que vou declamar é dedicado a pessoa mais importante da minha vida, a minha filha Sarah Cristina.

Oh, minha pequenina,
Papai sempre vai te amar,
Ao teu lado,
Continuamente vou estar,
E entre os meus braços,
Eternamente iremos brincar.

E mesmo quando a velhice me assaltar,
E o meu vigor me abandonar,
Ao ponto de o meu corpo
Não conseguir sustentar,
O meu espírito há de me renovar.

A tua cabeça, em meu seio irás reclinar,
Para dos meus lábios os teu ouvido escutar,
Pois em versos irei declamar:

Minha primogênita,
Comigo podes contar,
Pois neste mundo nada vai nos separar,
E quando para os teus braços eu não mais voltar,
E a minha trêmula voz em um suspiro falhar,
E ao pó da terra o meu corpo tombar,
As minhas lembranças te farão dizer com fervor:
- O meu pai sempre foi o meu primeiro amor.


Eternamente seu pai,
Eduardo de Araújo Carneiro.